Boa tarde, Dropper vitorioso!

Na coluna Ferrou de hoje: Madonna, que sempre foi considerada uma das maiores entusiastas do uso da tecnologia para shows, clipes e ativações, não está tão entusiasmada quanto o assunto é inteligência artificial. A rainha do pop disse que “IA é o oposto de correr riscos e, para mim, isso é o oposto de fazer arte”.

No AiDrop de hoje, repetindo a palavra IA trocentas vezes:

• Meta: lendo sua mente com IA
• Base 44: um LLM pra chamar de seu
• YouTube: e o robô moderador!
• IA por aí: Tidal, Cursor, Anthropic e mais…
• Trending: as IAs chinesas errando as previsões da Copa
• Me explique como se eu fosse uma criança: Frontier Models

Dropped pelos humanos Pedro Clivati e Renan Hamann

Meta: lendo sua mente com IA

Telepatia sem implantes? A Meta lançou um modelo de IA leitor de mentes.

A geração X usava o computador com mouses e teclados. A geração Z interagia com computadores usando a voz natural. A próxima geração vai controlar as máquinas usando o poder da mente - pelo menos é o que promete o Brain2Qwerty v2, a nova IA da Meta que promete traduzir a atividade cerebral em texto, sem implante cerebral.

Enquanto a Neuralink exige uma cirurgia para implantar um chip dentro do seu cérebro, a Meta utilizou a magnetoencefalografia (MEG), um scanner não-invasivo que mede os minúsculos campos magnéticos produzidos quando os neurônios disparam.

O plano consiste em utilizar inteligência artificial para decodificar os sinais cerebrais envolvidos quando acontecem os movimentos dos dedos ao digitar em um teclado. Para chegar lá, pesquisadores…

  • Escolheram 9 voluntários

  • Que digitaram +22.000 frases enquanto usavam um scanner MEG

  • Que gravou +90 horas de atividades cerebrais

Os métodos não-invasivos tradicionais atingiam uma precisão de apenas 8%. Já o Brain2Qwerty v2 alcançou uma precisão média de 61% na identificação de palavras - com o melhor participante atingindo 78% de precisão.

Para quem teve calafrios ao imaginar Zuckerberg com o poder de ler a mente, calma: a IA decodifica apenas a atividade cerebral relacionada à digitação e requer um treinamento personalizado extensivo para cada usuário - ou seja, nem ela nem Zuck conseguem ler pensamentos aleatórios, memórias ou conversas privadas.

IA POR AÍ

  • Não é só sobre IA*: a TOTVS está percorrendo o Brasil com o Roadshow IH+IA | Inteligência que gera resultados. A iniciativa leva a aplicação prática da IA pro centro das decisões empresariais e apresenta como o LYNN, o 1º foundation de IA B2B, usa agentes inteligentes de propósito específico para transformar IA em vantagem competitiva mensurável. Saiba mais sobre a solução aqui →

  • Tidal: o serviço de streaming liderado pela Block de Jack Dorsey decidiu não pagar mais por plays em músicas criadas com IA.

  • Cursor: vai ganhar um app mobile para permitir o controle dos agentes de coding direto no celular.

  • Anthropic: ganhou autorização dos EUA para liberar o Mythos 5… mas só para 100 parceiros aprovados pelo governo.

  • OpenAI: também está na lupa da Casa Branca e liberou o novo GPT somente para um seleto grupo de amigos da nação.

  • Apptronik: a startup de robótica apoiada pelo Google inaugurou uma arena de treinamento para robôs e lançou o seu próprio humanoide - o Apollo 2.

*Conteúdo de marca parceira

Base 44: um LLM para chamar de seu

Cada vez mais negócios SaaS estão criando os próprios modelos especialistas.

Com o custo dos tokens subindo e a capacidade computacional das gigantes tech no limite, construir um produto utilizando o modelo de inteligência artificial de outro provedor se tornou o novo “construir em terreno alugado”. Na busca pela independência, a WIX anunciou que agora tem o próprio modelo de IA para o Base44.

Wix é um dos principais players no segmento de desenvolvimento de websites no-code. Ano passado, comprou a startup de vibe-coding Base44 e incorporou IA na plataforma. Agora, deixa os modelos de OpenAI e Google e passa para um modelo treinado com milhões de interações reais de usuários reais!

A dupla Wix/Base não é a única…
O Cursor também treinou o próprio modelo de IA especialista em criação de código.
O Intercom Fin treinou um modelo especialista em resolver tickets de atendimento.
A Salesforce usou o oceano de dados de marketing e vendas para treinar seu modelo.
A Datadog treinou um modelo dentro de casa para telemetria de infraestrutura.
O Adobe criou o modelo Firefly treinando em dados de design proprietários.

O motivo não é a incapacidade dos modelos atuais, mas a oportunidade em ter o próprio modelo traz benefícios para uma categoria (saas) cada vez mais ameaçada pelos grandes labs de IA:

  • Especialização: os grandes labs focam na criação de modelos de ponta generalistas (GPT, Claude, Gemini) para agradar a todos. Já essas empresas podem criar modelos ultra-especialistas em pequenas partes do processo, já que o objetivo é entregar valor para um tipo específico de cliente.

  • Diferenciação: enquanto os grandes modelos da OpenAI, Anthropic e Google são treinados em dados públicos, essas empresas são donas de um conjunto de dados proprietários que ninguém mais tem acesso.

  • Economia: ter o próprio grande modelo de linguagem significa não depender da flutuação de preços e limites impostos por um provedor externo, além de trazer maior controle de custos e margens maiores.

  • Proteção: ao invés de entregar os dados proprietários para um provedor externo que pode eventualmente utilizá-los para treinar novos modelos, ao utilizar um modelo próprio as empresas mantêm esse rico conjunto de dados dentro de casa.

Apesar dos benefícios, treinar e manter o próprio modelo é caro e complexo. Tanto as habilidades técnicas do próprio time, quanto a infraestrutura de treinamento e inferência necessárias. Mas… para uma indústria que acorda com o pesadelo da Anthropic lançando uma funcionalidade que ameaça toda sua existência, parece uma boa saída.

→ A Wix acabou de anunciar corte de 20% do quadro de funcionários, enquanto a Base44 segue contratando e já passou de US$ 150 milhões em ARR (dois meses depois de cruzar US$ 100 milhões).

IA chinesa ainda não é o Polvo Paul

A vitória do Brasil de ontem na Copa do Mundo não foi a única alegria dos sul-americanos. O Paraguai, equipado com 1 técnico argentino e 2 jogadores do Palmeiras, também fez o seu trabalho e carimbou o passaporte da Alemanha de volta pra casa.

Se você não esperava por isso, pode apertar as mãos dos modelos de IA chineses que previam uma vitória fácil dos alemães sobre os paraguaios.

→ Kimi: previu vitória da Alemanha por 3 a 1;
→ DeepSeek e Qwen (Alibaba): previram 3 a 0;
→ ERNIE Bot (Baidu), Jiutian (China Mobile) e StepFun: previram 2 a 0

HunYuan (Tencent), MiniMax e Xiao Huanxiong (SenseTime), também apostaram na vitória alemã.

O encontro foi fechado. Essa live não.

Dropped by Elephan.ai

Nem todo mundo conseguiu um convite para o último Revenue Secrets da Elephan.ai, que reuniu algumas das principais lideranças de receita do país em um encontro fechado. Mas as principais ideias não vão ficar trancadas.

Quem ficou de fora ganhou uma segunda chance. No dia 02/07, às 19h, em uma live gratuita, o time te dá a chave de como a IA já está mudando a forma como empresas tomam decisões antes mesmo dos números aparecerem no dashboard. Inscreva-se aqui →

ME EXPLIQUE COMO SE EU FOSSE UMA CRIANÇA

Frontier Models

Modelo de fronteira é a categoria das IA mais avançadas disponíveis em um dado momento - que empurram os limites de capacidade geral, como GPT, Claude e Gemini nas suas versões mais recentes.

→ Características: tamanho massivo, custo de treinamento e inferência elevado, e desempenho de ponta em raciocínio, código e linguagem.

O contraponto são os modelos especializados ou menores, otimizados para uma tarefa específica - mais baratos e rápidos, mas com capacidade geral limitada. Como o Base 1 da Base 44.

A distinção importa porque empresas hoje escolhem entre usar fronteira (mais caro, mais capaz) ou modelo dedicado (mais barato, suficiente).

YouTube e o robô moderador!

YouTube finalmente adiciona IAs capazes de filtrar e moderar comentários

Tem quem chame de "praça de guerra" ou de “terra sem lei”, mas o nome oficial é “seção de comentários” - o cantinho da internet onde todos são especialistas com opinião e sem receio de compartilhá-las.

Apesar dos exageros, comentários são uma das formas mais ricas de informação sobre determinado conteúdo e o YouTube resolveu organizar essa bagunça usando IA:

O YouTube adicionou filtros com IA no YouTube Studio que permitem buscar comentários por tema ou intenção - não apenas por termos exatos. Um avanço bem importante para qualquer equipe de moderação.

Na prática, essa novidade faz com que a moderação se torne menos repetitiva e bem menos suscetível a erros:

  • Em vez de fazer buscas sobre uma palavra-chave como "problema", você pode pedir para o sistema agrupar "comentários sobre problemas no produto".

  • Para creators, "perguntas sobre meu equipamento" ou "pedidos de parte 2" funcionam da mesma forma.

  • Ao encontrar um comentário específico, um clique mostra outros com significado similar - mesmo que não usem as mesmas palavras.

  • Alguns tópicos também contam com organização automática, sem que seja preciso solicitação manual.

Para quem gerencia canais grandes, é uma mudança real. Moderar comentários hoje é trabalho manual e repetitivo - rolar infinitamente para encontrar padrões que qualquer criador experiente já sabe que existem, mas não consegue isolar com eficiência. “Seus problemas acabaram”.

Além da moderação, a novidade pode ajudar também em pesquisa de audiência. Saber o que os espectadores mais perguntam, reclamam ou pedem - sem depender de algoritmo de recomendação ou formulário de feedback - é dado valioso para decisão de pauta. Outras redes sociais devem seguir o mesmo caminho em breve.

AI LIKE A PRO

Novidades de ferramentas, agentes, prompts e skills para você usar:

MEME DA SEMANA

DROP LIKE IT'S HOT

[para rir] e se o Claude tivesse chegado ao mercado em 2010.

[para refletir] agentes de IA são mesmo nossos colegas de trabalho?

[para cuidar] como os óculos com IA estão criando uma epidemia de trapaças?

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