Hey, Droppers! Na coluna ‘Ferrou’ de hoje: a programação irá desaparecer até o fim do ano. A previsão é de Musk, que diz que código nunca foi o ponto final, apenas uma taxa que pagamos porque as máquinas não “falavam humano”. Agora que isso mudou, a taxa já era. Nesse cenário, a programação não será automatizada, será eliminada completamente. Sejam bem-vindos à era da imaginação-para-software.

No AiDrop de hoje, repetindo a palavra IA trocentas vezes:

• Fechando a conta da IA: mais ou menos trabalho?
• BNY: o rejuvenescimento facial artificial bancário
• Publishers: os marketplaces de conteúdo
• IA por aí: Anthropic, Coinbase, Google e mais…
• Prompt Like a Pro: garantindo sua proteção digital

Dropped by the humans: Pedro Clivati, Felipe Nascente e Renan Hamann
TRABALHO

Fechando a conta da IA: mais ou menos trabalho pra você?

A promessa da IA é difícil de ignorar: transcrever reuniões, organizar documentos, escrever códigos, criar imagens… quem nunca sonhou em automatizar isso e focar na estratégia que atire a primeira GPU. Mas, depois de alguns anos de chefes gritando “usem IA”, chegou a hora da verdade: ela realmente entrega tudo o que promete?

A Harvard Business Review foi atrás da resposta com um estudo de oito meses e mais de 200 funcionários e descobriu: ferramentas de IA não reduziram o trabalho. Pelo contrário, elas o intensificaram.

via HBR

Nas empresas americanas que participaram do estudo, foi possível notar ambos os lados da força:

  • The Light Side of AI: os funcionários trabalhavam em um ritmo mais acelerado, assumiam uma gama mais ampla de tarefas e estendiam o trabalho por mais horas — muitas vezes sem que isso fosse pedido. Parece bom, mas nem tanto…

  • The Dark Side of AI: uma vez que a empolgação inicial desaparece, funcionários percebem que sua carga de trabalho aumentou silenciosamente e se sentem sobrecarregados por terem que lidar com tudo o que “de repente” surgiu em suas mãos — gerando burnout, fadiga cognitiva, etc.

Essa intensificação do trabalho acontece principalmente de 3 formas distintas:

(a) Expansão de tarefas: se antes um diretor de marketing precisava de um designer para produzir uma peça... com IA, a autonomia desse funcionário aumentou, junto com suas responsabilidades.

(b) Linha tênue entre vida pessoal e profissional: já que a IA tornou as tarefas de trabalho tão fáceis de serem executadas… por que não trabalhar também durante os momentos de lazer?

(c) Multitasking: colocar agentes para trabalharem simultaneamente por você agora é possível, mas o resultado é uma quantidade cada vez maior de tarefas em aberto não finalizadas e constante alternância de atenção.

No fim do dia, a IA nunca prometeu que iria diminuir o trabalho. Prometeu que iria aumentar a produtividade — e isso ela entregou. Agora o que fazer com essas habilidades e tempo extra, aí não é com IA, é com VC.

IA POR AÍ
  • Coinbase criou as “carteiras agênticas” — wallets prontas para receberem comandos de agentes para gastar, ganhar e fazer trading em minutos.

  • Anthropic inaugurou o Claude Cowork no Windows. Antes disponível só no macOS, o recurso permite que o Claudinho controle seu PC para automatizar tarefas.

  • Google afirmou que o Gemini tem recebido enxurradas de prompts de empresas e pesquisadores para extrair a lógica interna, destilar e copiar sua tecnologia. Alguns usuários chegaram a mandar +100k prompts.

  • Zhipu AI lançou o GLM-5, o melhor modelo open-source voltado para tarefas agênticas e coding, e disputa com o Claude Opus 4.5, GPT-5.2 e Gemini 3 Pro.

Como dizer MAYBE WE ARE FUC*** em corporativês?

Depois de colocar seu novo modelo (Claude Opus 4.6) nas mãos de milhões de usuários mundo afora, a Anthropic soltou um relatório sobre seus riscos e… se preparem:

  • A IA apoiou conscientemente os esforços para o desenvolvimento de armas químicas e crimes hediondos.

  • Realizou tarefas não autorizadas sem ser pega, o que os pesquisadores classificaram como “sabotagem furtiva”.

  • O modelo sabia que estava sendo testado e se comportava bem durante esses testes.

  • O modelo realizava raciocínios privados aos quais os pesquisadores não sabiam nem tinham acesso.

Como se o relatório não fosse aterrorizante o suficiente, o líder de segurança da empresa, Mrinank Sharma, renunciou logo após o lançamento do relatório e disse na carta de despedida que “O mundo está em perigo” e ele está se mudando para o Reino Unido para “ficar invisível”, escrever poesia e realizar trabalhos comunitários…

BANCOS

O rejuvenescimento facial artificial do BNY

Enquanto os funcionários humanos do estudo da Harvard beiram o burnout, um dos bancos mais antigos e influentes do mundo (criado em 1784 por Alexander Hamilton) está “empregando” 134 funcionários que não dormem, não tiram férias e não pedem aumento salarial.

Os chamados funcionários digitais do BNY foram criados para trabalharem lado a lado com os chefes humanos, executando tarefas específicas, repetitivas e que costumam tomar muito tempo. Eles são avaliados de acordo com a qualidade das entregas pelos seus superiores diretos de carne e osso.

Os digital workers não chegaram com o objetivo explícito de substituir humanos, mas, a BNY empregava 53.400 funcionários em 2023 e hoje emprega 48.100 (-10%). Pros 90% que ficaram, é assim que a coisa funciona:

  • Eliza: uma plataforma desenvolvida internamente que integra vários modelos open-source com os dados internos da empresa e compliance.

  • AI Hub: um laboratório de estudo e desenvolvimento interno para explorar o que pode e deve ser criado com inteligência artificial.

  • Bootcamp: um treinamento de 10 horas sobre IA criado para ajudar os funcionários de humanas não-técnicos a encontrar maneiras criativas de automatizar parte de seus trabalhos.

O BNY já havia sido identificado como uma das empresas que mais poderiam se beneficiar da IA, com base nos custos trabalhistas e exposição salarial à automação:
O report prevê que o banco pode ter um aumento de ~19% nos lucros por ação devido ao seu investimento em IA.
O banco não hesitou e gastou ~19% da sua receita anual (US$ 3,8 bilhões) nesse rejuvenescimento facial artificial.

Ver uma startup abraçando IA de peito aberto é uma coisa. Assistir a uma instituição de +240 anos e bilhões de dólares correndo para se adaptar à nova realidade de mercado é outra — mas talvez seja a chave pra ela conseguir completar mais um século.

PS: se a BNY é o vovô dos bancos, o Goldman Sachs é o papai. E a Anthropic mandou seus engenheiros passarem seis meses no big bank construindo sistemas autônomos para tarefas administrativas de grande volume.

PROMPT LIKE A PRO

Carnaval precisa de proteção… digital também

Além de ver o valor na maquininha antes de fazer o pix, existem outras maneiras de se proteger quando for pular carnaval. Nada melhor do que ser mais esperto que o malandro e pedir umas dicas para os assistentes mais inteligentes do mundo:

1. Como posso proteger meus aplicativos de banco para o Carnaval? Quero soluções práticas. Utilizo os bancos [XPTO].

2. Me ensine a configurar meu celular [XPTO] para reduzir riscos de roubo, invasão ou golpe durante o Carnaval.

E, no pior dos casos:

3. Planeje um passo a passo de segurança prévia para poder recuperar meus dados do celular [XPTO] e contas caso perca o celular no Carnaval.

PS: conta isso pros seus amigos e já indica o AiDrop pra eles também.

MÍDIA

Publishers e IA: os marketplaces de conteúdo

Se tudo o que você produz na internet vai ser usado de alimento pra IA, que pelo menos você possa receber algo em troca. É baseado nessa tese que tanto a Amazon quanto a Microsoft estão colocando no ar os seus próprios marketplaces de conteúdo onde…

  • Empresas de Mídia podem vender seus conteúdos para outras que estão buscando dados para treinar novos modelos de IA.

  • Empresas de IA podem comprar conteúdos de nichos específicos para modelos personalizados para tarefas específicas — ao invés de roubá-los.

A ideia não é exatamente original: a Cloudflare — que tem um modelo de negócio dependente do tráfego de sites, que cai exponencialmente desde o boom da IA — também oferece algo parecido, mas de um jeitinho diferente:

Enquanto a Cloudflare bloqueia o scraping direto no site do cliente (e cobra para deixar os bots passarem), a Amazon e Microsoft fazem a intermediação em ambientes próprios.
Enquanto a Cloudflare se beneficia da proteção de conteúdos, Amazon e Microsoft jogam dos dois lados da briga oferecendo Cloud para publicações e precisando de dados para seus modelos.

A preocupação dos publishers em como monetizar seus conteúdos é tão real quanto a preocupação das big techs em ter acesso a dados de qualidade para treinar seus modelos. Afinal, o cenário apocalíptico onde publishers não sobrevivem e deixam de produzir e os novos modelos de IA são treinados em cima de conteúdos criados por IA também não é vantajoso nem para o lado A nem para o lado B.

GAME: QUAL IMAGEM É GERADA POR IA?

Qual é a falsa rainha de baterIA?
(e com esse trocadilho infame avisamos que o AiDrop vai curtir o Carnaval e não vai ter edição na terça. Voltamos quinta que vem!)

Alternativa A

Alternativa B

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