
Hey, Droppers! Na coluna ‘Ferrou’ de hoje: a programação irá desaparecer até o fim do ano. A previsão é de Musk, que diz que código nunca foi o ponto final, apenas uma taxa que pagamos porque as máquinas não “falavam humano”. Agora que isso mudou, a taxa já era. Nesse cenário, a programação não será automatizada, será eliminada completamente. Sejam bem-vindos à era da imaginação-para-software.
No AiDrop de hoje, repetindo a palavra IA trocentas vezes:
• Fechando a conta da IA: mais ou menos trabalho?
• BNY: o rejuvenescimento facial artificial bancário
• Publishers: os marketplaces de conteúdo
• IA por aí: Anthropic, Coinbase, Google e mais…
• Prompt Like a Pro: garantindo sua proteção digital

TRABALHO
Fechando a conta da IA: mais ou menos trabalho pra você?

A promessa da IA é difícil de ignorar: transcrever reuniões, organizar documentos, escrever códigos, criar imagens… quem nunca sonhou em automatizar isso e focar na estratégia que atire a primeira GPU. Mas, depois de alguns anos de chefes gritando “usem IA”, chegou a hora da verdade: ela realmente entrega tudo o que promete?
A Harvard Business Review foi atrás da resposta com um estudo de oito meses e mais de 200 funcionários e descobriu: ferramentas de IA não reduziram o trabalho. Pelo contrário, elas o intensificaram.
Nas empresas americanas que participaram do estudo, foi possível notar ambos os lados da força:
The Light Side of AI: os funcionários trabalhavam em um ritmo mais acelerado, assumiam uma gama mais ampla de tarefas e estendiam o trabalho por mais horas — muitas vezes sem que isso fosse pedido. Parece bom, mas nem tanto…
The Dark Side of AI: uma vez que a empolgação inicial desaparece, funcionários percebem que sua carga de trabalho aumentou silenciosamente e se sentem sobrecarregados por terem que lidar com tudo o que “de repente” surgiu em suas mãos — gerando burnout, fadiga cognitiva, etc.
Essa intensificação do trabalho acontece principalmente de 3 formas distintas:
(a) Expansão de tarefas: se antes um diretor de marketing precisava de um designer para produzir uma peça... com IA, a autonomia desse funcionário aumentou, junto com suas responsabilidades.
(b) Linha tênue entre vida pessoal e profissional: já que a IA tornou as tarefas de trabalho tão fáceis de serem executadas… por que não trabalhar também durante os momentos de lazer?
(c) Multitasking: colocar agentes para trabalharem simultaneamente por você agora é possível, mas o resultado é uma quantidade cada vez maior de tarefas em aberto não finalizadas e constante alternância de atenção.
No fim do dia, a IA nunca prometeu que iria diminuir o trabalho. Prometeu que iria aumentar a produtividade — e isso ela entregou. Agora o que fazer com essas habilidades e tempo extra, aí não é com IA, é com VC.
IA POR AÍ
Coinbase criou as “carteiras agênticas” — wallets prontas para receberem comandos de agentes para gastar, ganhar e fazer trading em minutos.
Anthropic inaugurou o Claude Cowork no Windows. Antes disponível só no macOS, o recurso permite que o Claudinho controle seu PC para automatizar tarefas.
Google afirmou que o Gemini tem recebido enxurradas de prompts de empresas e pesquisadores para extrair a lógica interna, destilar e copiar sua tecnologia. Alguns usuários chegaram a mandar +100k prompts.
Zhipu AI lançou o GLM-5, o melhor modelo open-source voltado para tarefas agênticas e coding, e disputa com o Claude Opus 4.5, GPT-5.2 e Gemini 3 Pro.

Como dizer MAYBE WE ARE FUC*** em corporativês?
Depois de colocar seu novo modelo (Claude Opus 4.6) nas mãos de milhões de usuários mundo afora, a Anthropic soltou um relatório sobre seus riscos e… se preparem:
A IA apoiou conscientemente os esforços para o desenvolvimento de armas químicas e crimes hediondos.
Realizou tarefas não autorizadas sem ser pega, o que os pesquisadores classificaram como “sabotagem furtiva”.
O modelo sabia que estava sendo testado e se comportava bem durante esses testes.
O modelo realizava raciocínios privados aos quais os pesquisadores não sabiam nem tinham acesso.
Como se o relatório não fosse aterrorizante o suficiente, o líder de segurança da empresa, Mrinank Sharma, renunciou logo após o lançamento do relatório e disse na carta de despedida que “O mundo está em perigo” e ele está se mudando para o Reino Unido para “ficar invisível”, escrever poesia e realizar trabalhos comunitários…
BANCOS
O rejuvenescimento facial artificial do BNY

Enquanto os funcionários humanos do estudo da Harvard beiram o burnout, um dos bancos mais antigos e influentes do mundo (criado em 1784 por Alexander Hamilton) está “empregando” 134 funcionários que não dormem, não tiram férias e não pedem aumento salarial.
Os chamados funcionários digitais do BNY foram criados para trabalharem lado a lado com os chefes humanos, executando tarefas específicas, repetitivas e que costumam tomar muito tempo. Eles são avaliados de acordo com a qualidade das entregas pelos seus superiores diretos de carne e osso.
Os digital workers não chegaram com o objetivo explícito de substituir humanos, mas, a BNY empregava 53.400 funcionários em 2023 e hoje emprega 48.100 (-10%). Pros 90% que ficaram, é assim que a coisa funciona:
Eliza: uma plataforma desenvolvida internamente que integra vários modelos open-source com os dados internos da empresa e compliance.
AI Hub: um laboratório de estudo e desenvolvimento interno para explorar o que pode e deve ser criado com inteligência artificial.
Bootcamp: um treinamento de 10 horas sobre IA criado para ajudar os funcionários
de humanasnão-técnicos a encontrar maneiras criativas de automatizar parte de seus trabalhos.
O BNY já havia sido identificado como uma das empresas que mais poderiam se beneficiar da IA, com base nos custos trabalhistas e exposição salarial à automação:
→ O report prevê que o banco pode ter um aumento de ~19% nos lucros por ação devido ao seu investimento em IA.
→ O banco não hesitou e gastou ~19% da sua receita anual (US$ 3,8 bilhões) nesse rejuvenescimento facial artificial.
Ver uma startup abraçando IA de peito aberto é uma coisa. Assistir a uma instituição de +240 anos e bilhões de dólares correndo para se adaptar à nova realidade de mercado é outra — mas talvez seja a chave pra ela conseguir completar mais um século.
PS: se a BNY é o vovô dos bancos, o Goldman Sachs é o papai. E a Anthropic mandou seus engenheiros passarem seis meses no big bank construindo sistemas autônomos para tarefas administrativas de grande volume.
PROMPT LIKE A PRO
Carnaval precisa de proteção… digital também
Além de ver o valor na maquininha antes de fazer o pix, existem outras maneiras de se proteger quando for pular carnaval. Nada melhor do que ser mais esperto que o malandro e pedir umas dicas para os assistentes mais inteligentes do mundo:
1. Como posso proteger meus aplicativos de banco para o Carnaval? Quero soluções práticas. Utilizo os bancos [XPTO].
2. Me ensine a configurar meu celular [XPTO] para reduzir riscos de roubo, invasão ou golpe durante o Carnaval.
E, no pior dos casos:
3. Planeje um passo a passo de segurança prévia para poder recuperar meus dados do celular [XPTO] e contas caso perca o celular no Carnaval.
PS: conta isso pros seus amigos e já indica o AiDrop pra eles também.
MÍDIA
Publishers e IA: os marketplaces de conteúdo

Se tudo o que você produz na internet vai ser usado de alimento pra IA, que pelo menos você possa receber algo em troca. É baseado nessa tese que tanto a Amazon quanto a Microsoft estão colocando no ar os seus próprios marketplaces de conteúdo onde…
Empresas de Mídia podem vender seus conteúdos para outras que estão buscando dados para treinar novos modelos de IA.
Empresas de IA podem comprar conteúdos de nichos específicos para modelos personalizados para tarefas específicas — ao invés de roubá-los.
A ideia não é exatamente original: a Cloudflare — que tem um modelo de negócio dependente do tráfego de sites, que cai exponencialmente desde o boom da IA — também oferece algo parecido, mas de um jeitinho diferente:
→ Enquanto a Cloudflare bloqueia o scraping direto no site do cliente (e cobra para deixar os bots passarem), a Amazon e Microsoft fazem a intermediação em ambientes próprios.
→ Enquanto a Cloudflare se beneficia da proteção de conteúdos, Amazon e Microsoft jogam dos dois lados da briga oferecendo Cloud para publicações e precisando de dados para seus modelos.
A preocupação dos publishers em como monetizar seus conteúdos é tão real quanto a preocupação das big techs em ter acesso a dados de qualidade para treinar seus modelos. Afinal, o cenário apocalíptico onde publishers não sobrevivem e deixam de produzir e os novos modelos de IA são treinados em cima de conteúdos criados por IA também não é vantajoso nem para o lado A nem para o lado B.
GAME: QUAL IMAGEM É GERADA POR IA?
Qual é a falsa rainha de baterIA?
(e com esse trocadilho infame avisamos que o AiDrop vai curtir o Carnaval e não vai ter edição na terça. Voltamos quinta que vem!)

Alternativa A

Alternativa B

O que achou da edição de hoje?
DROPS
Elevando o QI da internet no Brasil, uma newsletter por vez. Nós filtramos tudo de mais importante e relevante que aconteceu no mercado para te entregar uma dieta de informação saudável, rápida e inteligente, diretamente no seu inbox. Dê tchau às assinaturas pagas, banners indesejados, pop-ups intrometidos. É free e forever will be.
