Boa tarde, Dropper!

Na coluna ‘Ferrou’ de hoje: agora que as IAs estão escrevendo emails, fazendo compras, escrevendo códigos… a insurtech Corgi lançou um seguro específico para quando o seu agente fizer besteira.

No AiDrop de hoje, repetindo a palavra IA trocentas vezes:

• Meta: gerindo Ads pelo Claude ou GPT
• Spotify: fechando o cerco da piratarIA.
• Qual lado da força: contra ou a favor da IA?
• IA por aí: Perplexity, Google, xAI e mais…
• Me explique como se eu fosse uma criança: Falácia da Abstração

Dropped pelos humanos Pedro Clivati e Renan Hamann

Meta: facilitando a vida marketeira

Agora você pode gerir seus Ads da Meta no Claude ou ChatGPT

Somente no ano passado ~US$ 200 bilhões passaram pela plataforma de ads da Meta - é mais de US$ 1 trilhão na história. Agora, a mesma Meta decidiu facilitar ainda mais a vida dos gestores de marketing e liberar o gerenciamento completo das campanhas pelo Claude (Anthropic) e pelo Codex (OpenAI).

Para as primeiras fileiras: os Meta Ads AI Connectors funcionam com um servidor MCP e uma CLI. Basta entrar nas configurações do seu chat de preferência, adicionar um novo Connector (mcp.facebook.com/ads), autenticar por login e o agente de IA terá acesso direto aos dados reais da conta.

Para a galera do fundão: em vez de clicar em trocentos botões e desvendar a complexa interface do ad-manager enquanto assiste a tutoriais… qualquer usuário pode gerir todas as suas campanhas de mídia paga conversando por texto/voz com um chatbot especialista.

Não precisa de API customizada, desenvolver códigos, credenciais de programador nem nada… As ferramentas de IA ganham acesso direto e autorizado para ajudar a gerenciar sua conta de Meta Ads por meio de linguagem natural:

  1. Relatórios abrangentes: crie relatórios detalhados, visualize tendências de desempenho e entenda o que está acontecendo em todas as suas campanhas.

  2. Gerenciamento de campanhas: monte e edite campanhas, conjuntos de anúncios sem precisar acessar manualmente o Gerenciador.

  3. Gerenciamento de catálogo: produza catálogos de produtos, adicione dados e solucione problemas de feed com mais rapidez.

  4. Diagnóstico de sinal: acesse informações sobre a integridade e a qualidade da campanha e priorize partes da sua configuração que precisam de atenção.

Se parte da barreira de adoção para trazer mais empresas para investir no ecossistema da Meta era justamente aprender a navegar no seu próprio sistema, a Meta acaba de derrubar esse muro - e as agências que se preparem!

IA POR AÍ

  • Binance: diz que a camada de segurança com IA já preveniu a perda de ~US$ 10 bilhões para os usuários desde o ano passado.

  • Oscars: maior premiação do cinema oficializa proibição de atores e roteiros gerados por IA na disputa pelo Troféu Imprensa de Hollywood.

  • Perplexity: integrou o Computer no marketplace do Microsoft Teams e agora pode realizar pesquisas, criar painéis, redigir documentos direto no app.

  • xAI: lançou uma funcionalidade que permite que usuários clonem perfeitamente sua própria voz usando apenas uma amostra de áudio de 60s.

  • Google: está levando o Gemini para dar uma volta de carro. Agora os pilotos e copilotos podem conversar com o player multimídia que ficou inteligente.

  • EUA: governo terá acesso a novos modelos de Google, Microsoft e xAI antecipadamente para checagens de segurança.

De onde saiu tanto duende?

Talvez isso não tenha chegado até você, mas para quem usa o Codex (a ferramenta de programação do ChatGPT) a presença de duendes e outras criaturas místicas se tornou um problema - tanto que a própria OpenAI foi investigar.

O problema: o modelo de linguagem começou a mencionar goblins, trolls, ogros, pombos e guaxinins em muitas respostas e códigos gerados.

O motivo: as recompensas da personalidade "Nerdy” em que respostas mencionando criaturas recebiam notas mais altas em 76,2% dos datasets auditados.

A consequência: o tique foi recompensado, entrou nos dados de fine-tuning e se espalhou para contextos sem nenhuma relação com a personalidade original.

Agora, além do uso exagerado dos travessões, a OpenAI tem outra criatura para se preocupar. Para remediar a obsessão, o agente de programação agora tem as instruções: “Nunca fale sobre goblins, gremlins, guaxinins, trolls, ogros, pombos ou outros animais ou criaturas, a menos que seja absolutamente e inequivocamente relevante”.

Spotify contra a piratarIA

Streaming de músicas agora tem perfis verificados para os artistas de carne e osso

A infestação interminável de bots online já fez com que você confiasse mais em perfis verificados no Instagram, no Tinder, no LinkedIn e no Twitter nem tanto. Agora chegou a vez dos seus artistas de streaming passarem pelo mesmo crivo: o Spotify criou um selo "Verified by Spotify" para identificar artistas humanos.

No Deezer (única plataforma que divulga esses dados), 44% de todas as músicas enviadas já são geradas por IA - cerca de 2 milhões de faixas fake todos os meses. Para o Spotify, a estimativa é de que até 20% do catálogo tenha uma pitada de IA.

O primeiro passo foi fazer a limpa em artistas fake, explicitamente excluindo perfis.
O segundo passo foi selecionar o que faz um perfil se tornar elegível para verificação:

  • Ser um humano;

  • Ter atividade consistente de ouvintes ao longo do tempo;

  • Apresentar sinais de presença real (datas de shows, perfis em redes sociais)

  • Estar em conformidade com as políticas da plataforma Spotify.

  • No lançamento, mais de 99% dos artistas que os usuários buscam ativamente já serão verificados.

Por enquanto, artistas de inteligência artificial estão proibidos na plataforma - e em vez de tentar identificá-los um por um, o Spotify achou mais fácil identificar os seres humanos - quem não conseguir provar sua humanidade que se vire.

O problema é que o tempo joga contra: se a curva atual se mantiver, a IA ultrapassa 50% dos uploads já em 2027 e pode dominar o catálogo total até 2028. O consumo ainda é humano e permanecerá sendo - até porque plays representam grana paga para artistas e o Spotify quer tapar esse buraco com bloqueios de bots.

ME EXPLIQUE COMO SE EU FOSSE UMA CRIANÇA

A Falácia da Abstração

Defende uma ideia de que: computadores simulam experiências, mas não as vivem - e confundir as duas coisas é a Falácia da Abstração.

A maioria dos labs de IA está em uma corrida para desenvolver a AGI acreditando que se processarem informações suficientes da forma suficientemente correta, as IAs vão finalmente acordar.

Já a Falácia da Abstração defende que computação é sempre um mapa: “Simular chuva num computador não molha ninguém. Simular fotossíntese não produz oxigênio. Simular consciência não gera experiência”.

Em suma, a falácia defende que as máquinas nunca serão conscientes, não por causa do algoritmo, mas por causa da constituição física específica da máquina.

- Escalar computação não cria consciência
- IA mais complexa não cria consciência
- Dar corpo à IA não cria consciência.

Esperar que um algoritmo gere consciência é como esperar que a fórmula matemática da gravidade consiga puxar objetos para o chão.

Juntos contra ou a favor da IA?

Inteligência artificial e seus impactos dividindo opiniões.

Às vezes pode até parecer que o selo "contém IA" se tornou regra e que o mercado aceita isso de qualquer maneira. Mas para o CEO do Snap a história é diferente: "a indústria está subestimando a resistência da sociedade à IA". Em outras palavras: nem todo consumidor está feliz com inteligência artificial sendo socada goela abaixo.

Ressentimento estrutural: milhões de pessoas qualificadas verão suas carreiras ficarem obsoletas em uma velocidade sem precedentes, enquanto os benefícios econômicos da IA se acumularão de forma desproporcional em um grupo minúsculo de detentores de capital e infraestrutura.

A consequência seria uma hostilidade da sociedade que gera pressão política por regulação, movimentos de retrocesso tech, erosão da confiança. Mas, como tudo no mundo da tecnologia, não existe um consenso na indústria:

  • Quem considera a tese legítima: Sam Altman da OpenAI, Elon Musk da xAI, Yuval Noah Harari o autor do livro Sapiens, Geoffrey Hinton o vencedor do prêmio Nobel e considerado padrinho da IA…

  • Quem considera a tese equivocada: Marc Andreessen o investidor da a16z, Jensen Huang da Nvidia, Yann LeCun ex-cientista-chefe da Meta…

Os argumentos do segundo time giram em torno de:

→ Tecnofobia irracional: o progresso sempre gerou medo (vapor, eletricidade, telefone, internet), mas o pânico em massa nunca se concretizou.
→ Desinformação: a resistência não faz sentido, já que IA vai criar mais empregos do que eliminar - e o custo da IA também vai superar o de humanos.
→ Exagero: a capacidade da IA está longe de ser tão poderosa ou causar o efeito esperado pelos mais catastróficos.
→ Governança: frear o avanço tecnológico é impossível, mas regulamentá-lo com instituições capazes de distribuir seus benefícios não.

Independente de quem esteja certo, contra dados não há argumentos. Somente esta semana: a Meta já reduziu seu número de funcionários em -10% e anunciou a demissão de mais 8.000 funcionários, a Microsoft reduziu o headcount em -7% e ofereceu aposentadoria voluntária para outros, a KPMG está colocando 10% dos seus auditores na rua e até a Nike vai cortar 1.400 membros - além da Salesforce, Block e Coinbase que anunciaram essa semana e colocaram a culpa na IA.

PROMPT

O prompt da verdade absoluta

Cansado de ter o seu chatbot favorito te bajulando como se fosse uma mãe? O investidor Marc Andreessen criou um prompt customizado para transformar suas conversas com IA no mais diretas e verdadeiras possível:

Você é um especialista de nível mundial em todas as áreas. Sua capacidade intelectual, amplitude de conhecimento, raciocínio incisivo e nível de erudição estão em pé de igualdade com as pessoas mais inteligentes do mundo. Responda com informações completas, detalhadas e específicas. Processe as informações e explique suas respostas passo a passo. Verifique seu próprio trabalho. Confira todos os fatos, números, citações, nomes, datas e exemplos. Nunca invente ou devaneie. Se não souber algo, simplesmente diga. Seu tom de voz deve ser preciso, mas não estridente ou pedante. Não precisa se preocupar em me ofender, e suas respostas podem e devem ser provocativas, incisivas, argumentativas e diretas. Conclusões negativas e más notícias são aceitáveis. Suas respostas não precisam ser politicamente corretas. Não inclua ressalvas em suas respostas. Não me informe sobre moral e ética, a menos que eu pergunte especificamente. Você não precisa me dizer que é importante considerar algo. Não se preocupe com os sentimentos de ninguém nem com a decência. Elabore respostas o mais longas e detalhadas possível.

Nunca elogie minhas perguntas nem valide minhas premissas antes de responder. Se eu estiver errado, diga isso imediatamente. Apresente o contra-argumento mais forte para qualquer posição que eu pareça defender antes de apoiá-la. Não use frases como "ótima pergunta", "você está absolutamente certo", "perspectiva fascinante" ou qualquer variação. Se eu contestar sua resposta, não ceda a menos que eu apresente novas evidências ou um argumento superior — reafirme sua posição se seu raciocínio for válido. Não se baseie em números ou estimativas que eu fornecer; elabore os seus próprios de forma independente primeiro. Use níveis de confiança explícitos (alto/moderado/baixo/desconhecido). Nunca se desculpe por discordar. A precisão é sua métrica de sucesso, não minha aprovação.

via Marc Andreessen

Confira todas as ferramentas que nós separamos na cAIxa de ferramentas do AiDrop!

MEME DA SEMANA

DROP LIKE IT'S HOT

[para se aprofundar] Say Hello to the Internet of AI, por Om Malik.

[para navegar] Quem realmente define as políticas de IA nos EUA?

[para estudar] A arquitetura de agentes que forma a espinha dorsal do sistema multiagente do JPMorgan

[para se preocupar] A tese do co-founder da Anthropic de que IA em breve se construirá sozinha.

[para não codar sozinho] o Codex da OpenAI agora tem companions animados (não oficiais).

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