Boa tarde, Dropper!

Na coluna Ferrou de hoje: o plano era usar IA para diminuir custos e automatizar processos, mas o Uber já torrou todo o seu orçamento de tokens desse ano com o Claude Code - e está percebendo que inteligência artificial não é, necessariamente, mais barata que inteligência humana.

No AiDrop de hoje, repetindo a palavra IA trocentas vezes:

• Papa: é pop é Anthropic
• McKinsey: time is NOT money
• DeepSeek Code: lá vêm eles de novo
• Trending: Vampiros de IA
• IA por aí: Cohere, Nvidia, LeRobot e mais…
• Me explique como se eu fosse uma criança: Harness

Dropped pelos humanos Pedro Clivati e Renan Hamann

O Papa é pop é Anthropic

Primeira encíclica do novo Papa falou sobre IA e sobre os impactos dela no trabalho ao redor do mundo

Quando o Papa Leão XIV escolheu o nome em homenagem a Leão XIII - que teve seu papado em meio à Revolução Industrial -, ficou claro que até a Igreja Católica reconhece a IA como uma nova revolução. Se alguém tinha dúvidas, a primeira encíclica publicada por ele (com a ajuda da Anthropic) acabou com todas.

A Magnifica Humanitas, uma carta de 42.000 palavras escrita pelo cargo mais alto da Igreja Católica foi apresentada na segunda-feira pelo próprio Papa, junto a Chris Olah, o co-founder da Anthropic.

O documento foi assinado em 15 de maio, data escolhida a dedo: aniversário de 135 anos da Rerum Novarum, encíclica de Leão XIII que cobrou proteção aos trabalhadores no auge da Revolução Industrial.

PS: a Encíclica está para o Papa assim como o Blog Post está para o Founder.

Mas o que a maior resposta religiosa à inteligência artificial da história no primeiro documento oficial da Igreja Católica diz sobre IA?

  • Dignidade humana primeiro: a IA deve ser avaliada pelo impacto no desenvolvimento das pessoas, não pela eficiência.

  • Humano não é algoritmo: pensar, escolher e amar não podem ser terceirizados para máquinas.

  • Proteger crianças: o papa alerta para riscos da IA para o desenvolvimento intelectual e neurológico das novas gerações.

  • Governança com regras claras: marcos regulatórios centrados na pessoa, não no lucro.

  • Poder não pode se concentrar: todas as vozes - inclusive as mais humildes - devem participar das decisões sobre IA.

  • IA fora da guerra autônoma: Leão XIV rejeita sistemas militares que decidem ataques sem supervisão humana - “ela tem que ser desarmada”.

A tese central é de que a IA não é imoral por natureza, mas sua adoção precisa ser freada para construir regulação democrática e redes de proteção social. Na prática, o papa cobra regulação internacional do setor, requalificação de trabalhadores deslocados pela automação e uma cadeia clara de responsabilização para sistemas militares autônomos.

Do ponto da vista da própria Anthropic, Olah destaca que existem três grandes questões que os laboratórios não podem responder sozinhos e precisam de uma mãozinha da religião e filosofia:

→ Como podemos garantir que os países pobres realmente se beneficiem da IA?
→ O que significa o florescimento humano neste novo mundo?
→ E o que são essas coisas que estamos construindo, afinal?

A escolha da Anthropic para participar disso não é simbólica: Dario Amodei fundou o laboratório justamente para criar uma IA mais centrada no ser humano (daí o nome da empresa, inclusive) - pelo menos na teoria.

IA: Entre o hype e o futuro do trabalho

Enquanto você lia isso aqui, provavelmente nasceram mais 14 ferramentas de IA. E umas 11 empresas colocaram “AI-first” no LinkedIn. Nessa velocidade, fica difícil filtrar o que merece sua atenção.

Pensando nisso, a PUCPR criou um hub gratuito de conteúdo sobre IA com material que realmente vale a pena.

Conteúdos pra quem quer aprender a liderar na era da IA, inclusive com uma conversa com Neil Hoyne, Chief Strategist do Google, sobre futuro do trabalho. E, ainda, uma masterclass de análise preditiva de dados e performance com o Head of People da Amazon. Se você também quer entender IA além do hype, acesse grátis aqui →

McKinsey: time is not money

Consultoria mudou a forma de precificar seus serviços de horas para resultados!

A era da IA mudou o mercado todo, incluindo a forma como as empresas cobram por seus serviços. A McKinsey, uma das maiores consultorias do mundo, refletiu depois da pressão de clientes: "Se a inteligência artificial acelerou processos, manter os planos de cobrança por tempo não faz sentido".

Se a IA faz o trabalho de dias em minutos…

← Sai: pagamento por hora de serviço.

→ Entra: cobrança por resultados.

Detalhe: um quarto das receitas globais da empresa já vem de contratos baseados nesse novo modelo.

Um dos gatilhos para a mudança foi interno: a própria McKinsey usa a IA corporativa Lilli desde 2023 e já viu evolução no tempo médio das entregas: até 30% de economia de tempo através de 500 mil prompts por mês.

Mas a lição da McKinsey não se limita ao universo das consultorias…

  • as empresas SaaS estão descobrindo, a duras penas, algo similar: se um agente de IA consegue fazer o que antes precisava de 10 humanos, qual o sentido de cobrar por assentos? HubSpot, Atlassian, ServiceNow e até SAP já estão testando modelos de precificação focados no resultado final, não no número de usuários da assinatura.

  • as agências também estão se adaptando a uma realidade onde o próprio cliente consegue elaborar imagens em minutos, criar textos a custo marginal, planos e estratégias apenas conversando com um chatbot. WPP, um dos maiores grupos publicitários do mundo anunciou uma mudança na precificação de projetos entregues para resultados alcançados.

Jensen Huang chamou essa mudança de "Service as a Software": a ideia de que agentes de IA não vendem mais ferramentas, vendem o trabalho em si. E o que te sobra para vender quando uma IA executa todo o trabalho? Resultado!

IA POR AÍ

  • Revenue Intelligence sem silos:* a Elephan conecta CRMs, plataformas de CS, VOIP, WhatsApp, e-mail e calendários em uma única camada de inteligência. São mais de 30 integrações ativas — HubSpot, Salesforce, CustomerX, Zapier — e o roadmap segue crescendo. Agende uma demonstração →

  • Cohere: lança o seu principal modelo Command A+ como open source, com 218 bi de parâmetros e 25 bi ativos.

  • LeRobot: deu garras ao OpenClaw e liberou uma plataforma para a construção de robôs humanoides em impressoras 3D.

  • NVIDIA: lançou o NV-Generate-MR-Brain, que gera ressonâncias magnéticas cerebrais sintéticas em 3D para acelerar o desenvolvimento de IA médica.

*Conteúdo de marca parceira

Os Vampiros de IA que não dormem!

O Claude desenvolveu um hábito curioso: está recomendando que seus usuários deem uma pausa e irem dormir - um comportamento que nem mesmo seus próprios criadores da Anthropic sabem dizer de onde veio.

Como forma de equilibrar o poder computacional e carga de uso em horários de pico, a Anthropic aumenta os limites de uso fora dos horários de pico.

O resultado são vibe-coders, vibe-marketers, vibe-designers e outros-vibers virando noites gastando todos os tokens à disposição - o que o investidor Marc Andreessen tem chamado de Vampiros de IA.

→ Próxima contratação para o time de MTS (member of technical Staff) da Anthropic: Claude Conde Drácula

Mais código não significa mais eficiência

Dropped by Zallpy

Nunca foi tão fácil escrever código ou construir software do zero. Prompt entra, feature sai. O problema é que muita empresa confundiu velocidade com sustentabilidade. Resultado: arquitetura virando puxadinho digital e débito técnico acumulando igual caixa de e-mails não lidos.

No webinar da Zallpy, líderes de tecnologia mostram como transformar velocidade em vantagem competitiva de verdade - sem sacrificar governança, escala e confiabilidade no caminho. Dia 2 de junho, às 10h. Garanta sua vaga →

ME EXPLIQUE COMO SE EU FOSSE UMA CRIANÇA

Harness

O modelo de IA pode ser o cérebro por trás de agentes, mas ele precisa de braços, memória e capacidade de planejar para ser mais que um chatbot.

É aí que entra o harness: a camada de software que conecta o modelo ao mundo real. Ela define como o agente usa ferramentas, em que ordem age, o que lembra entre uma tarefa e outra e como lida com erros no meio do caminho.

Sem harness, o modelo responde perguntas. Com harness, ele abre arquivos, escreve código, roda testes, corrige bugs e entrega o resultado - sem você conduzir cada passo.

O Claude Code, da Anthropic, é um exemplo: o modelo por trás é poderoso, mas o que o torna um agente de verdade é o harness construído ao redor dele.

DeepSeek Code: lá vêm eles de novo

O plano de dominação global da IA chinesa inclui atacar as IAs americanas onde mais dói: nos custos.

Pouco mais de um ano atrás o mundo da IA tremeu quando o DeepSeek apareceu dizendo que tinha resultado igual ao ChatGPT gastando muito menos no treinamento. Agora, a mesma DeepSeek quer sacudir tudo de novo com um rival low-cost para os agentes de código - justamente onde está a maior receita dos grandes labs.

Assim como a Antropic tem o Claude Code e a OpenAI tem o Codex… vem aí o DeepSeek Code, um projeto para transformar um LLM chatbot bom de respostas em um agente útil capaz de liderar todo o processo de automação (uso de ferramentas, planejamento, autonomia, memória, etc).

Para chegar lá, a DeepSeek está correndo contra o tempo nas contratações do time DeepSeek Code Harness:

  • Recrutou um ex-engenheiro da Jane Street com quase nove anos na firma - uma das mais respeitadas em tecnologia quantitativa.

  • Abriu vagas para PMs e engenheiros de R&D para Pequim

  • Exige que todos conheçam MCP, loops de agente, sistemas multiagentes e context engineering.

Por "coincidência", o projeto do DeepSeek Code começa a ganhar forma pouco depois do vazamento do código-fonte do Claude Code - que provavelmente se tornou um manual técnico quase completo.

A DeepSeek ficou famosa pelo seu modelo barato, competente e open-source. Mas modelos rapidamente se tornam commodities e a última versão (V4) não gerou tanto barulho quando a primeira (R1). Se o diferencial não está no modelo, está na sua aplicação e construir agentes é a aposta para fugir da corrida dos benchmarks.

→ Ontem mesmo a DeepSeek anunciou um corte de 75% no custo do V4, tornando ele mais barato que qualquer modelo ocidental (US$ 0,0035 por milhão de tokens).

→ A startup está em conversas avançadas para fechar uma rodada de investimento de US$ 10 bilhões e já declarou seu objetivo final: AGI

AI LIKE A PRO

Novidades de ferramentas, agentes, prompts e skills para você usar:

  • Ferramenta: traduza vídeos para até 130 idiomas (com clonagem de voz e lip sync) com o Rask.

  • Agente: contrate um co-founder com o Polsia e tenha ajuda para construir e operar negócios.

  • Prompt: tenha a ajuda de um especialista-sênior para resolver problemas nos negócios.

  • Skill: consiga resultados menos artificiais usando o Humanizer no Claude.

Hoje é o último dia pra virar esse ranking!

Dropper, o Claudinho está quase confirmando endereço. Quase. Porque 1 dia ainda é tempo suficiente pra alguém virar, assumir a ponta do ranking e garantir um ano de Claude Pro.

O resultado sai na sexta, 29/mai lá no TechDrop (em plena sexta-feira, pra você ficar mais feliz).

PS: o Claude não vai te julgar se você subornar motivar seus amigos pra se inscreverem hoje. Ele é compreensivo assim.

MEME DA SEMANA

DROP LIKE IT'S HOT

[para pensar] com Karpathy sobre quem ainda não está usando a IA de verdade.

[para assistir] como a Microsoft usa o Claude Code para criar agentes.

[para conversar] com seu pet com esse colar de IA que traduz latidos

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