Feliz 2026, Droppers!

Na coluna ‘Ferrou(?)’ de hoje: um dos programadores da Anthropic e criador do Claude Code contou que nos últimos 30 dias todas as suas contribuições ao projeto foram feitas inteiramente pelo próprio Claude Code.

No AiDrop de hoje, repetindo a palavra IA trocentas vezes:

• Meta: crise interna no reino de Zuck
• Grok: sem filtro e com polêmica
• Alexa+: agora com versão web
• IA por aí: Minimax, Apple, OpenAI e mais…
• Me explique como se eu fosse uma criança: Database de Vetores

BIG TECHS

Meta: crise interna no reino de Zuck

Réveillon, foguete, champanhe e fogo no parquinho. 2026 mal começou e a Meta já está lidando com uma crise interna com a saída de uma das maiores mentes da empresa. Depois de +10 anos como Chief AI Scientist, Yann LeCun – um dos “padrinhos da IA” e vencedor do prêmio Turing – foi embora e expôs, sem muita cerimônia, os problemas da Meta.

Uma dose de contexto: com a OpenAI dominando a narrativa da IA, Zuck ficou frustrado com a velocidade com que o Llama estava evoluindo, e, sem conhecer o ditado “a pressa é inimiga da perfeição”, acreditou que seus bilhões poderiam comprar tempo.

Aí a Meta investiu US$ 15 bilhões na Scale AI, um laboratório dedicado à “superinteligência”, e contratou Alexandr Wang (CEO da empresa) para ser chefe do próprio Yann LeCun – que não gostou de ter alguém “jovem” e “inexperiente” para liderar as pesquisas.

E, a cereja do bolo da confusão foram os problemas que LeCun escancarou nas entrevistas após sua saída:

  • Os benchmarks do Llama 4 foram "manipulados” para parecerem melhores – o que justifica o enorme tropeço que o Llama 4 deu;

  • Zuckerberg perdeu a confiança na equipe de IA generativa, deixando uma boa parte do time encostada e outra parte saindo;

  • Há anos, Yann LeCun vem criticando LLMs em público e a Meta queria que ele parasse, mas ele disse que não mudaria seu discurso pela empresa.

Apesar de envolver ego e hierarquia, o conflito é também filosófico, já que os 65 anos de vida de LeCun lhe geraram a opinião de que “modelos de linguagem são úteis, mas não serão o futuro da IA” – entrando no barco dos defensores dos “modelos de mundo”.

Agora, sem ninguém para cortar suas asas, LeCun saiu da Meta e está criando sua própria empresa, Advanced Machine Intelligence Labs, focada em world models – sistemas que entendem o mundo físico, não só padrões de linguagem – e acredita que terá uma versão embrionária em cerca de um ano.

Sobre o futuro da IA não estar em LLMs: talvez ele esteja certo, talvez esteja errado, mas quando uma das pessoas mais relevantes na criação na estrutura da IA moderna abandona uma big tech por acreditar que a estratégia era um beco sem saída, outro ditado pode representar: “tem caroço nesse angu”.

PS: Entre o Natal e Ano-Novo, a Meta adquiriu a startup chinesa Manus AI por cerca de US$ 2-3 bilhões.

IA POR AÍ
  • Z.ai lançou o GLM-4.7, nova versão do seu modelo com altas habilidades em coding e pegou Top 2 na Design Arena.

  • Apple está se aproximando do novo relançamento da Siri com uma possível demonstração em junho na WWDC.

  • Minimax lançou o Minimax M2.1, open-source e um dos melhores modelos de código aberto já lançados.

  • Manus, antes de ser comprada pela Meta, apresentou o recurso Design View, onde é possível manipular imagens através do chat com o auxílio do mouse.

  • OpenAI, no final de dezembro, lançou “Seu ano com o ChatGPT”, um recurso de rewind das conversas – que ainda não chegou no Brasil, embora já tenha sido traduzido no app.

O Boston Consulting Group canetou: “toda empresa tem que se tornar uma empresa de tecnologia”. E decidiu ser o exemplo do mercado global!

A empresa se diz a maior criador de GPTs customizados do mundo, com nada menos que 36 mil GPTs dentro da plataforma da OpenAI.

A BCG opera um pipeline de três camadas: dados privados da firma alimentam agentes, consultores prototipam ferramentas em casos reais, e um time central transforma essas soluções em versões robustas para uso.

LLMS

Grok: sem filtro e com polêmica

Como toda tecnologia, a IA pode ser usada para o mal se estiver nas mãos erradas. Agora, o Grok da xAI – conhecido por ter “pouco limite” – esticou ainda mais a corda e está sendo usado para editar imagens de mulheres e menores de idade, a partir de fotos da própria plataforma e sem consentimento.

Um dos casos que viralizou surgiu aqui no Brasil. Uma usuária postou foto na virada do ano no X e horas depois viu comentando pedidos para o Grok “trocar sua roupa por um biquíni”. E, infelizmente, o bot atendeu. Quando ela tentou denunciar, a reação foi pior ainda, com mais gente aparecendo com solicitações ainda mais explícitas.

Segundo a Reuters, o problema não foi pontual. Em apenas 10 minutos, mais de 100 pedidos públicos foram feitos para que o Grok “removesse roupas” de pessoas em fotos reais através do recurso de editar imagem. A maioria das vítimas eram mulheres jovens, mas há relatos até de pedidos para fotos de crianças

Embora nada dessa “tecnologia” seja novo, antes estavam restritas e em cantos obscuros da internet, o problema central é o acesso ridiculamente fácil à exposição de qualquer pessoa – que nem precisa ter rede social, apenas uma foto dela. É um problema grave demais para ser ignorado e após essa situação:

  • A plataforma do X começou a deletar alguns comentários das publicações, que estão sendo denunciados;

  • Enquanto isso, o Elon Musk debochou da situação antes da crise escalar, reagindo com emojis chorando de rir em edições feitas pelo Grok a pessoas famosas, incluindo a si mesmo de biquíni;

  • A França e a Índia já notificaram órgãos reguladores e promotores, que começaram a questionar a plataforma por conteúdo ilegal e ofensivo.

Após toda a situação, a xAI se pronunciou alegando que o problema estava sendo urgentemente corrigido, que material infantil era “ilegal e proibido”, e quem gerar esse conteúdo sofrerá consequências como se tivesse publicado diretamente.

ME EXPLIQUE COMO SE EU FOSSE UMA CRIANÇA

Database de Vetores (Vector Database)

Uma database de vetores é um banco de dados que guarda “significados” em vez de palavras. Ela transforma textos (ou imagens) em vetores – listas de números que representam sobre o que aquilo fala.

Em vez de procurar por termos iguais, ele busca por coisas parecidas na ideia, como “tênis para correr” e “sapato de corrida”.

Na prática, isso ajuda a IA a achar rapidamente trechos relevantes em documentos e usar essa informação na resposta (muito comum em RAG).

Em vez de chutar, o modelo busca exemplos e fontes semelhantes, e responde com base no que encontrou.

ASSISTENTE

Alexa+ agora com versão web

Uma das assistentes virtuais mais xingadas do mundo da tecnologia está de cara nova. Depois de meses do anúncio que transformou a experiência de perguntas rápidas à Alexa em uma conversa por voz com uma assistente, a Alexa+ recebeu uma interface em texto com histórico e tudo mais.

Buscando converter seus bilhões de investimento em data centers, modelos de linguagem e conhecimento de startups investidas, a Amazon se coloca em uma posição estranha, já que a Anthropic também faz parte da sua lista de concorrentes.

Aproveitando a sua distribuição global e aprendizado dos usuários ao longo dos anos, a Alexa volta para a briga dos assistentes de IA que está com os holofotes virados para os ChatGPT, Gemini, Claude e Grok.

As novidades da vez são:

  • Os usuários poderão fazer buscas, conversar e planejar tarefas complexas, estendendo a comunicação através dos seus dispositivos (ex: agendar no chat e executar no dispositivo Echo);

  • As capacidades agênticas da Alexa se expandem através das plataformas Expedia (viagens), Yelp (negócios locais), Angi (prestadores de serviço) e Square (pagamentos), além de integrar Uber e OpenTable para serviços.

  • O app da Alexa também está de cara nova na estética “chatbot-first”, elevando as habilidades conversacionais em vez de menus soterrados de opções.

  • A Alexa+ será compatível com a maioria dos dispositivos Echo e quase todos os Fire.

  • Quem for assinante do Amazon Prime receberá acesso à Alexa+ gratuitamente.

Embora a nova IA ainda não esteja disponível no Brasil, a Alexa está em +17 milhões de lares brasileiros e a Alexa+ poderá ser uma porta de entrada para a maioria das pessoas que ainda não tem familiaridade com inteligência artificial – às vezes até respondendo sem ser chamada.

PS. Não precisa de Alexa e nem de Alexa+ pra recomendar o AiDrop pra todo mundo. É só clicar aqui e pegar seu link.

CAIXA DE FERRAMENTAS

Você conhece a IA da Zhaipu AI? O GLM-4.7 é um modelo de IA de código aberto e gratuito, onde você pode utilizar diretamente no site oficial ou em diversas ferramentas de coding!

  • Crie uma conta para poder utilizar ou logue com o Google;

  • Na barra de prompt, escolha o que você quer fazer: criar um app, slides com IA, uma página, uma pesquisa profunda etc.

  • Se você for dev, pode utilizar a API dele no Claude Code.

Confira todas as ferramentas que nós separamos na cAIxa de ferramentas do AiDrop!

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